Ontem na madrugada tive uma insônia gigante e, rolando feed, acabei me deparando com um vídeo de Patrícia Lelis, no qual ela relatava a acusação de es tupro contra Marco Feliciano, deputado federal e também pastor-presidente da Igreja Assembleia de Deus. Na época, Patrícia era estudante de jornalismo, filiada ao PSC e militante da juventude do partido. O relato é assustador.
Ao mesmo tempo, revela um comportamento bem típico de homens que acessam o lugar de poder e não compreendem como os desígnios da masculinidade os transformam em monstros. Temos infinitos casos de líderes religiosos que fazem o mesmo. E também políticos. E também pais, tios, padrastos, vizinhos, avôs, homens.
Estamos em meio ao escândalo do Banco Master, com ministros do Supremo possivelmente envolvidos, com histórias de pros tituição atreladas a festas, com lavagem, distribuição de dinheiro e favores a muitos homens. Os escândalos de Brasília mostram como nossa política ainda é um lugar masculino. Por isso mesmo, adoecida. Não por acaso, se xo (es tu pro), dinheiro e poder, como ativos relacionados ao ego masculino, a essa masculinidade escrota, são as grandes cartas do jogo. E como podemos mudar isso?
E não adianta pensarmos que os homens do campo progressista não fazem o mesmo. Talvez, em algum grau, eles sejam um pouquinho menos escroques, talvez só um pouquinho. Afinal, falamos de homens socializados para agir como monstros, ops homens.
No governo Lula, tivemos o caso do ministro Silvio Almeida, uma sumidade intelectual, exonerado após denúncias de assédio feitas por várias mulheres, entre elas a ministra Anielle Franco e alunas de Silvio Almeida. Por que eles se sentem no direito de nos assediar? De nos estu prar? E também de praticar as violências mais bárbaras.
Quando pensamos na misoginia e na objetificação das mulheres, é preciso entender: todos os homens em todos os campos e espectros políticos e ideológicos estão passíveis de nos atacar. A violência que sofremos é praticada por homens de qualquer realidade social, econômica, cor de pele ou orientação sexual. Afinal, foram socializados como monstros. Ops, homens.
Por isso, não importa de que campo político-ideológico você é, vote em mulheres. Os homens ao meu redor estão pouco se lixando em votar em mulheres. Estão mais alinhados com aqueles que alimentam seu ego da forma como for. Temos candidaturas femininas extremamente importantes com chances reais de serem eleitas.
Procure as pesquisas do seu estado para senador, faça um voto útil em quem defende nossos interesses. Faça uma pesquisa das deputadas federais e estaduais com mais chances. Não desperdice seu voto. Há uma mudança a ser feita. Ela só depende do nosso nível de consciência, de quão despertas para a realidade estaremos.
Por isso, superar ideologias e fanatismos políticos, penso eu, é tão importante. Se não estivéssemos nessa, teríamos uma mulher candidata e com condições de ser a presidenta - ou presidente, se você preferir - do Brasil. Enquanto isso, vamos fazer voto útil para quem defende nossas pautas ou pelo menos para quem não vai tirar os nossos direitos. No próximo domingo, vamos ser estratégicas e inteligentes.






















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